Ao acordar hoje pela manhã recebi uma belíssima surpresa! Deparei-me com uma mesa linda de café da manhã.
Tinha de tudo um pouco, o cheiro exalava no ar. As meninas, uma de onze e outra de doze, fizeram tudo isso de madrugada, sem me acordarem.
Afinal, era surpresa! No dia anterior elas pediram dinheiro para comprar algumas coisas, alegando não ter “nada” para lanchar. E lá vão elas com a receita ao supermercado. Compraram tudo sozinhas.
Procuraram as receitas do chef “Google crome”, como elas mesmas definiram. Na mesa havia torradas, ovos, granola, surpresa de maçã, maçã ao forno, incensos, guardanapos, bilhetinhos, copo de cristal, gelatina... Eu fiquei “bestinha”. Não sabia o que dizer. Elas disseram para que eu sentasse que ela iriam me servir. Afinal, rainha é rainha (risos). Comecei pela maçã ao forno (nunca tinha comido rs!).
Depois foram as torradas, suco, ovos, gelatina... Uau! Já estava satisfeita, mas como elas queriam que eu comesse de tudo um pouco, eu comi uma pequena porção de cada item. Eu me senti muito feliz! Imensamente feliz!
Isso me fez pensar o quanto sou sortuda por tê-las em minha vida. São sobrinha e filha. A sobrinha eu somente a conheci quando ela tinha 02 anos. Coisas da vida. Nunca vivemos juntos na mesma casa ou até próximos. Fomos criados separadamente por nossas avós.
Quando fiquei mais velha e tive a oportunidade da aproximação, não perdi tempo, eu fui a uma cidade pequena localizada no interior de Alagoas, chamada Maragogi.
Queria poder me aproximar de minhas sobrinhas, criar laços, escrever uma nova história,já que a vida tinha me impedido de viver uma com elas mais cedo. Descobri que nunca é tarde na prática! E lá fui eu. Muito mal conhecia meu irmão. Pedi para que minhas duas sobrinhas viessem passar alguns dias comigo. Ele permitiria se a mãe estivesse junta. Porém argumentei e disse que elas estariam mais naturais comigo, sem a presença da mãe. Mãe essa que hoje é mais irmã que cunhada.
Minha relação com meu irmão foi tecida com muita paciência. Éramos estranhos uma para o outro. Lembro-me quando minha sobrinha, na época tinha sete anos, e disse: “olha, aqui tem um semáforo!”. Ela nunca tinha visto um. Viu pela primeira vez uma escada rolante e andou de elevador. Em praia não tem isso!Íamos para o shopping subíamos e descíamos no elevador. Fomos conhecer igrejas, parques, andar de trem, piscinas, andar de trem... Elas me contavam o que faziam lá. Fui construindo aos poucos, de ano em ano, durante o período de férias, uma relação de amor e confiança. Sou uma tia normal, às vezes brigo. Já coloquei de castigo. Se merecer, brigo mesmo. Porém, tive muito amor e paciência para conquistá-las. Elas também se permitiram receber amor.
A mais velha hoje vem com menos freqüência. Todos pensam que ela é minha filha, tamanha a semelhança física. Há duas férias ela não tem vindo para minha casa, pois já está namorando. Entendo perfeitamente. Se eu tivesse perdido tempo, talvez, somente talvez, não houvéssemos a mesma relação que temos hoje em dia. Com o meu café da manhã de rainha, apenas vi, pude ver sentir, que sempre vale à pena ter paciência para criar laços! Vale à pena amar e se permitir receber esse amor. Saí para o trabalho pela manhã flutuando de felicidade! E você? Tem se permitido correr riscos? Tem ido à busca de parentes distantes, amigos de longe, e se permitindo criar laços? Tem conversas inacabadas? Que tal se dar uma chance para vocês? Se permita surpreender e ser surpreendida!
